Antes, acho, é mais importante escrever sobre o que aconteceu, um rápido resumo dos quase três meses de Europa, transcorridos entre Londres, Lugano e um bate-e-volta em Calamandrana, Itália. Um post para cada mês, e depois eu conto sobre Collina d'Oro (vocês já devem estar curiosos).
Esta é a primeira vez que viajo sozinho, completamente sozinho. É verdade que tenho parentes que vão me acolher na Europa, mas em princípio estou sozinho. E, como sempre acontece com os calouros, não pode deixar de ter um monte de aventuras inerentes à inexperiência de viagem. Só a chegada em Londres foi quase cômica.
Eu deixei a ilha paradisíaca onde moro num dia cinzento e chuvoso, uma amostra de como seria em Londres, e peguei o avião para Guarulhos, SP. Já ganho o primeiro sustinho da viagem quando o avião, que estava aterrizando, arremete de volta para o céu, por causa do vento desfavorável ao pouso. Não foi nada traumatizante, mas certamente desconfortável. Depois de uns 15 minutos voando em círculos, pousamos do outro lado da pista.
A seguir (umas horas depois), pego o avião para Paris, onde faria escala antes de pousar em Londres. A viagem foi bastante tranqüila, e aproveito para deixar a dica: Em viagens longas, pegue o assento do corredor. Eu já havia viajado uma longa distância na janela, mas no corredor, apesar de não ter vista, você tem a grande vantagem de poder se levantar a hora que quiser sem incomodar o próximo. Você pode caminhar pelo avião, buscar água e ir ao banheiro quantas vezes quiser. Pense bem, além disso, sentando na janela, das 9 horas de vôo, você vai ter vista na decolagem e na aterrizagem. Depois, são praticamente 7 horas tendo abaixo de você nada mais do que o oceano infinito. É sem graça.
Assim, numa resplandescente manhã de sol, o imenso Boeing pousou nas paisagens infinitamente brancas do norte da França. Tudo estava coberto de neve do dia anterior, e o sol fazia tudo brilhar. Fazia -5ºC, e ainda lembro de como foi gostoso aspirar o primeiro o ar gelado da Europa quando desci do avião.
Descer do avião levou quase vinte minutos, porque o piloto não abria as portas por causa de algum problema com o pessoal do aeroporto. Disse-nos o piloto que eram as condições climáticas (sol??). Mais tarde vim a descobrir que qualquer problema a Air France põe a culpa no clima.
As instruções eram precisas. Chegando no Charles de Gaulle, eu deveria pegar minhas bagagens e tentar encontrar um shuttle ou navette, em francês, para ir até o aeroporto de Orly, onde pegaria o avião para Londres. Mas o legal foi que, no segundo maior aeroporto da Europa, eu não achava em lugar algum a bendita navette. Todos a quem eu perguntava me mandavam a um lugar diferente do aeroporto, e quando eu fui procurar por mim mesmo, acabei chegando num buraco aleatório que era uma parada de trens.
Por fim, com medo de perder a hora do vôo, fui forçado a pegar um táxi. Por sorte eu trouxe alguns euros comigo. O aeroporto de Orly fica do outro lado da cidade, e como presente de boas vindas, lá se vão 60,00 € logo de cara.
Ainda por cima, chegando no aeroporto o taxista pergunta "Você vai para Orly Sul ou Orly Oeste?". Eu só pude dizer "Mas existem dois Orlys?". Revirando os meus papéis eu descobri afinal em qual dos Orlys era o meu avião e chegamos sem maiores problemas.
P.S.: Não sei porque tem umas frases grifadas.
| Foto da primeira impressão da Europa: Tudo branco de neve nos arredores de Paris |
| Os jardins do Palácio de Versalhes, em Versalhes, França, vistos do avião. |
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