A Suíça é um paisinho minúsculo (menor que o Estado de Santa Catarina), encravado nos Alpes. Neutra até a medula dos ossos, não se mete em nada. Não entrou para a União Européia, e tem uma razão interessante para isto: A UE não permite subsídios. Na Suíça, uma coisa linda de se ver é que cada centímetro quadrado de terra cultivável é cultivada, e sempre por agricultores familiares. Eles vivem porque o Estado subsidia esse tipo de coisa, e com a entrada na UE isso teria que acabar.
Eu digo que é uma coisa linda de se ver porque fica tudo bonito. Aliás, tudo na Suíça é organizado e bem cuidado. Claro que às vezes se vê pichação por aí, ou raramente lixo no chão, mas é incomparável com outros países, como a Inglaterra ou a França, por exemplo. Além disso, uma coisa louvável é a honestidade do Estado. Aqui quando você paga o seu imposto o Estado o mantém atualizado em o que está sendo gasto o dinheiro, e inclusive você pode opinar no que quer que seja gasto o imposto.
Para um país deste tamanho, é surpreendente que se tenha quatro línguas oficiais: O alemão, falado por 65,6% da população, o francês, falado por 22,8%, o italiano, falado por 8,4% e o romanche, falado por 0,6%. Isso dá um trabalho danado às crianças suíças que precisam aprender pelo menos duas línguas, além do inglês.
Assim como o Brasil é dividido em Estados, a Suíça é dividia em cantões. O italiano é falado no cantão Ticino, o único ao sul dos Alpes, e em partes do cantão dos Grisões, no leste. Atualmente eu me encontro no cantão do Ticino, em Collina d'Oro, no subúrbio de Lugano.
Lugano é uma cidade muito bonita, esparramada no Golfo de Lugano, no Lago Cerésio, ou Lago de Lugano. Fica também entre os montes San Salvatore e Brè. Passear no lungolago (tipo a beira-mar deles) à noite é uma coisa estupenda.
A cidade é charmosa e poética, cheia de ladeiras e prédios belos, caramanchões de glicínias, gazebos ao ar livre e jardins. É também muito pequena; só Lugano em si tem 65.000 habitantes. Para uma cidade com este tamanho, a vida cultural é intensa. Sempre há espetáculos, shows, balés, teatros, etc. acontecendo, e no verão a cidade explode em vida, pois todos os que têm casas de veraneio vêm para cá. A cidade vive de bancos e de turismo, basicamente. É o terceiro centro bancário da Suíça, depois apenas de Zurique e Genebra.
Lugano é conhecida como a Suíça Mediterrânea, e inclusive o bordão turístico da cidade é swiss mediterranean style. Isso fica evidenciado com as milhares de palmeiras que há plantadas pela cidade. É curioso vê-las cobertas de neve, uma imagem no mínimo um pouco estranha. É também a cidade com maior incidência solar da Suíça (embora eu não possa dizer isso por experiência própria). Eu gosto de brincar dizendo que Lugano é o Rio de Janeiro da Suíça, pois está em uma baía, tem um Pão de Açúcar (o monte San Salvatore, dependendo do ângulo, lembra muito essa montanha), uma favela (o bairro Monte Brè, embora seja feito só de luxuosos prédios de apartamentos e hotéis, à noite lembra um pouco), é calorosa e ensolarada e um tanto caótica (dentro dos padrões da suíços, claro). Por ser a parte italiana da Suíça, sempre se acha uma bituca de cigarro no chão ou alguém pisando na grama.
| O centro de Lugano, visto do lungolago do outro lado da baía. |
| A encosta do monte Brè, à esquerda. |
| Realejo no Parco Civico. |
| O centro de Lugano. Ao fundo, à esquerda, o monte Brè. |
| Portão no Parco Civico, o parque principal da cidade. |
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