sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Que Houve Até o Momento - Parte 3/3 Lugano-Calamandrana

Para terminar a atualização, eis que num lindo dia nublado e frio, enquanto eu fazia minha vida londrina, recebi um telefonema de meus tios, da Suíça, que me lançaram uma proposta: Eles tinham um casal de amigos que iria viajar por duas semanas e precisaria de alguém para cuidar de seu yorkshire e de sua gata, pois não queriam deixar os bichos num canil.

Se como o que eles me pagariam seria o mesmo ou até mais do que eu ganharia no mesmo período em Londres, eu perguntei ao meu chefe se poderia passar este período na Suíça e ele consentiu. Pouco depois eu estava em um avião com destino a Lugano, no sul da Suíça.

Cheguei uma semana antes, pois seria um feriado e eu e meus tios iríamos visitar meus padrinhos em Calamandrana, um vilarejo medieval nas colinas do Piemonte, no norte da Itália.

Calamandrana é um lugar delicioso, bucólico e de idílio. É divida em duas, Calamandrana Alta, que é a parte antiga da cidade; um punhado de casas com um pequeno castelo e duas igrejas no topo da colina, e Calamandrana Bassa, Calamandrana Baixa, no vale, que é a parte moderna da cidade. Juntas ambas mal perfazem 1.600 habitantes.

Toda a cidade é rodeada por bosques, videiras e aveleiras, que se assentam suavemente na encosta da colina. A região é cheia de colinas, baixas, suaves, colline dolce, nas palavras de meu padrinho, no que lembra um pouco a paisagem da Toscana. Porém, enquanto o que se vê na Toscana é principalmente trigo, aqui são videiras. Futuramente escreverei sobre Calamandrana em um post só para ela.

Surpreendentemente nestes dois dias que passamos lá nevou uma neve totalmente inesperada, o tempo todo, e uma camada de 15 cm de branco pintou toda a paisagem amarelada no intervalo de uma noite.

Na ida a Calamandrana paramos numa trattoria, um restaurante pequeno e simples de comida slow food numa cidadezinha de fronteira que nem me lembro o nome. Slow food é um movimento que surgiu na Itália para combater o fast food, e que visa fazer a comida para ser apreciada realmente, além de preservar pratos típicos e produtos regionais.

Os pratos foram deliciosos, eis o que comemos:

Aperitivos:


  • Sformatino di radicchio con salsa di taleggio. Isto é tipo um bolinho macio de radicchio, uma espécie de chicória vermelha original do Vêneto, com molho de queijo do tipo taleggio, originário do norte da Itália.
  • Lardo di Colonnata. Lardo são fatias de gordura do porco finíssimas muito saborosas.
Primeiros pratos:

  • Garganelli con porcini e crema di Castelmagno. Isso é um tipo de macarrão com porcini, um cogumelo muito apreciado.
  • Gnocchetti di castagno grattinati con speck, crauto rosso e formaggio. Então, este para mim foi o prato supremo do dia. Nhoques de castanha-portuguesa gratinados com speck, um tipo de bacon, crauto rosso, parece um repolho vermelho e queijo.
Pratos principais:

  • Coniglio alla boscaiola con funghi. Uma forma de preparar o coelho com cogumelos.
  • Maialino dal latte al forno aromatico. Leitão assado com especiarias.
Sobremesa:

  • Crostata calda di arancio. É tipo uma torta italiana que leva geléia de alguma coisa em cima. Neste caso ela era servida macia e quente, algo não muito comum.
Depois de voltarmos a Lugano, comecei o trabalho de cuidar dos animais. Levar para passear, dar comida, etc.

Naturalmente que eu aproveito para passear, mas dei o azar de que a maioria dos dias tem chovido. Isso é devido a um ciclone sub-boreal que se formou no norte da Europa e está deixando o clima da estranhíssimo (neve na primavera no Piemonte, frio invernal em Londres, vacas soterradas em neve na escócia, chuva sem parar em Lugano, neve em Veneza e assim por diante).

No dia 8 termina a minha missão e então verei o que faço. Decidirei se continuo na Suíça, se volto para Londres ou se começo a viajar (esta, acho, é a opção mais provável).

Agora que vocês estão a par do que aconteceu nestes quase três meses, podemos passar aos posts do dia-a-dia, onde tentarei trazer a vocês um pouco mais da cultura européia e da experiência de viver no Velho Mundo.
A torre do castelo de Calamandrana.

Uma igreja em Calamandrana, conhecida como Chiesa Vecchia, a  Igreja Velha.

Calamandrana Alta, coberta por uma neve totalmente fora de época.

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