sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Que Houve Até o Momento - Parte 2/3 Londres

O período transcorrido em Londres foi muito interessante. Pela primeira vez, me encontrei vivendo em uma cidade européia, não como um turista, mas como um cidadão. Eu pegava o ônibus, ia trabalhar, voltava de ônibus, fazia as compras, etc. Exatamente como viver lá.

Não andava de metrô. Em Londres, você tem um cartão que é válido para todos os transportes públicos, dependendo do quanto você paga. Chama-se Oyster. Eu pagava, semanalmente, quase 20 libras esterlinas para andar de ônibus o quanto quisesse (é muito inteligente o sistema de transporte público londrino). Se quisesse incluir metrô no pacote, deveria pagar £30,00. Dado que a idéia é economizar, o metrô não era para mim. O que eu fazia era um top-up, uma quantia extra de dinheiro que você mantém no Oyster para quando fosse necessário usar o metrô.

A vantagem de andar de ônibus, já fica a dica, é que você vê a cidade inteira. E é uma cidade muito bonita. De metrô você só vai ver os pontos que for, mas não o que tem no caminho.


Eu trabalhava num restaurante chamado Nando's, uma rede sul africana que trabalha principalmente com frango grelhado. O meu restaurante ficava na esquina da Gloucester Road com Stanhope Gardens, no bairro South Kensington. Fica a lindos cinco quarteirões de três importantes museus, o Museu de História Natural, o Victoria and Albert Museum e o Museu da Ciência. Como biólogo, várias vezes eu chegava uma hora adiantado para matar o tempo no NHM (Natural History Museum). Mas mesmo para quem não é biólogo, o museu é magnífico. A começar pela arquitetura. É imenso, e todo decorado baixos-relevos de iguanas, celacantos (peixe pré-histórico), enguias, pássaros, orquídeas e plantas exóticas. Nas colunas e pórticos, sempre há macacos subindo pelos muros, trepadeiras ou até andorinhas fazendo ninhos. Os gárgulas do museu são tigres-dente-de-sabre, pterodátilos, leões e outras feras. Tudo maravilhoso.


Dentro, a coleção é imensa. Levaria meses para ver tudo. A mais famosa é a galeria dos dinossauros, cheia de esqueletos montados, modelos e informações, além de vários fósseis.


Depois, a parte dos mamíferos, com vários animais empalhados, de camundongos a girafas, além de um modelo em tamanho natural de uma baleia-azul (que parece um navio. Sério, eu nunca vi bicho tão grande!!!).


E assim vai. A galeria dos pássaros é linda também, com uma coleção de aves que é magnífica. Aliás, há um caso curioso aí. Isto provavelmente passou despercebido a 99,9% dos visitantes do museu. O papagaio-moleiro (Amazona farinosa) e a maria-leque (Onychorhynchus coronatus), são dois pássaros brasileiros. O primeiro, quem já foi a Ilhabela, no litoral de São Paulo, certamente já viu um. É um frango verde, não um papagaio, de tão grande.


Dizia na plaquinha que ambos ocorrem na América Central, mas isso não é totalmente correto; o papagaio-moleiro ocorre na amazônia e sudeste do Brasil, e a maria-leque na floresta amazônica. Após me informar melhor, para ter certeza, mandei um e-mail a eles, falando que eu estava "quite sure" de que a placa estava errada e eles me responderam dizendo que eu estava certo! Foram super gentis e disseram que trocariam as placas o mais rápido possível. Da próxima vez que eu for ao museu, será a primeira coisa que irei verificar.


O Victoria and Albert Musem é muito legal também. É a típica idéia que se tem de museu: Milhares de velharias e bugigangas de todo o mundo. Mas é maravilhoso! Muito interessante de visitar.


Por fim, o Science Museum, esse foi o que achei mais sem graça. É muito legal, mas perto dos primeiros, não se faz tanto. Vale a pena a visita, de qualquer modo. O que gostei foi a Rocket, a primeira locomotiva a puxar passageiros, que está exposta lá. Sempre fui maluco por trens.


Mas voltando ao Nando's (aqui você vê que a conversa é bem informal. Vai fluindo...), o ambiente de trabalho é muito legal, bem animado. Trabalham só estrangeiros na minha loja      o único inglês que tinha se demitiu. O "staff" são quatro italianos, além de mim, um venezuelano, duas húngaras, uma indiana, um brasileiro, um bangladeshiano, três espanhóis, um franco-algeriano e um polonês. Praticamente a ONU.


E assim fui vivendo. Sempre que tinha tempo livre ia a algum ponto turístico ou museu, e isto é maravilhoso em Londres: A maioria dos museus é gratuita. No raríssimos dias em que fazia sol (sim, é verdade o que dizem sobre o clima de Londres), o que ocorria mais ou menos a cada duas semanas, eu visitava algum parque.


Quando meu inglês melhorou, comecei a poder sair com o pessoal e ir a pubs. Aliás, outra dica absolutamente recomendável: Façam o Camden Pubcrawl. O Pubcrawl existe em várias cidades de vários países. No Brasil inclusive, em São Paulo e Rio. Você paga uma quantia e é levado em grupo de pub em pub ao redor de Camden Town, um dos bairros mais agitados de Londres. Em cada pub você tem direito a um shot de alguma coisa (pequenino, mas já ajuda) e não paga para entrar em pub ou club algum. A noite sempre termina em alguma balada.


É muito legal para rapidamente ficar sabendo dos pubs de lá e para conhecer pessoas. Eu passei a noite com três brasileiros, uma canadense, um francês e um australiano. Devo dizer que é uma experiência muito bacana. Custa £10,00 se você compra o ingresso por internet, £12,00 na porta e £15,00 com a camiseta, que é bem bonita.


Camden Town é um dos lugares mais legais de Londres. É o meu bairro preferido. Camden é o bairro dos alternativos, dos punks, dos hippies e da vida noturna londrina. A feira de Camden é fabulosa, o Camden Lock (as eclusas de Camden), na beira do canal, iluminado à noite é impagável. Vale a pena caminhar pelo bairro à noite só para ver a movimentação das pessoas indo e vindo, bebendo, conversando e se divertindo. Mas as opções de bares são infinitas, se você mudar de idéia.


Londres é uma cidade muito interessante. A única desvantagem é de fato o clima, que torna tudo cinzento e um pouco soturno. Porém, certamente passarei lá de novo antes desta viagem acabar!
A torre do Big Ben, agora rebatizado para  Elizabeth Tower, em homenagem ao jubileu da rainha.


A Abadia de Westminster, onde são coroados todos os reis da Inglaterra.

Trafalgar Square, a praça mais importante da cidade, com a National Gallery ao fundo, à esquerda.
The Shard of London, o maior prédio da  União Européia, com  mais de 300  metros de altura.  Foi inaugurado este ano e  já está se tornando um ícone de Londres. Projeto de Renzo Piano.
Uma das frases mais ouvidas pelos londrinos.
A Tower Bridge.
A feira de Camden Town. 

Fachada do Museu de História Natural de Londres, um dos mais importantes do mundo.
Esqueleto de plesiossauro no NHM.

Papagaio com a placa errada. Vamos ver se mudam isto!

O típico English Breakfast, um verdadeiro prato de pedreiro. Imagine comer tudo isso no café-da-manhã!

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