Hoje foi o dia de ir conhecer Salerno com os adolescentes do grupo escolar que eu conheci em Pompeia. Combinamos que eu iria encontrar uma garota do grupo na estação de Pompeia cidade, não ruínas e o pai dela iria nos dar carona até outra estação, onde todos se encontrariam.
Uma vez no carro, tentei colocar o cinto de segurança, mas para a minha surpresa não tinha! O pai, vendo-me procurando disse "não se preocupe, aqui ninguém usa isso!". Bom, estamos no sul da Itália...
Uma vez lá todos esperamos os outros, que estavam atrasados, mas isso também é comum no sul da Itália. Ao chegar todos me cumprimentaram calorosamente, o que é extremamente comum nessas paragens. É curioso que até os homens nos sul da Itália se cumprimentam dando dois beijos no rosto, mesmo se não conhecem bem a pessoa, como foi o meu caso. Confesso que não é confortável, pois não estou acostumado, mas retribuí da mesma maneira.
Enfim, pegamos o trem que atravessa um túnel por debaixo da península Sorrentina e desemboca em Salerno, uma grande cidade, a última da Costa Amalfitana. De fato o local é belíssimo, porque fica numa enseada com toda a Costa ao norte e noroeste, com montanhas cujos cumes superam os mil metros, e para o sul grandes e largas praias. Durante o inverno, às vezes neva no cume das montanhas, e fica aquela cidade balneária sob os cumes nevados na beira do mar, uma cena muito incomum!
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| O centro de Salerno com os cumes da península Sorrentina nevados. Foto retirada da Internet. |
Fomos direto ao duomo de Salerno, uma bela igreja em estilo românico, que é bastante peculiar. A começar porque é a única catedral da Itália em que a porta se abre não para a cidade, mas para um claustro, com uma porta em cada uma das paredes livres.
Dentro o teto é de madeira, coisa que eu não tinha visto até então. Porém, dentro das capelas laterais, o teto é decorado com belíssimos mosaicos, à maneira bizantina. Mas curiosamente a catedral não é riquíssima de ornamentação, como se espera encontrar na Itália.
| Nave principal do duomo de Salerno. |
Digno de nota também é o púlpito, feito com mármores policrômicos e incrustado de pedras.
| Detalhe do púlpito. |
Excepcionalmente o duomo de Salerno é jazigo do Papa Gregório VII, que morreu exilado na cidade.
Mas que a igreja não tem de decoração, a a cripta tem. Esta, sim, é magnífica. Toda barroca (estilo arquitetônico que eu adoro), é toda afrescada com passagens da vida de são Mateus, a quem a igreja é dedicada, emolduradas por mármores coloridos. No centro da cripta, exatamente abaixo do altar principal da catedral, está o túmulo de são Mateus e uma estátua que representa o santo escrevendo o seu evangelho, em bronze, bifronte. Ou seja, que tem duas frentes. Devido a essa característica particular, me explicaram, dizem que os habitantes de Salerno são todos duas-caras.
| Cripta do duomo, com estátua brônzea bifronte sobre o túmulo de são Mateus. |
Depois descemos até a beira-mar a caminhamos um pouco, pois lá é realmente muito bonito. Me lembrava vagamente o Principado de Mônaco, embora seguramente não tivesse um quinto do PIB desta cidade. Belos prédios em estilo eclético, amplos jardins, o mar ao lado, e milhares de pessoas passeando à tarde e desfrutando o seu sábado. Uma banda tocava num coreto e os navios adentravam o porto.
| Lungomare de Salerno. |
Atrás da cidade, no topo de um morro, as ruínas de um imenso castelo assomavam a enseada. Quem sabe quando ele foi construído, ou quantos olhos de vigias perscrutaram o mar infinito à espera de um ataque repentino por parte dos sarracenos ou outro povo longínquo...
| Castelo arruinado em Salerno. |
A vista que se tem da Costa Amalfitana é realmente estupenda, se via quase todas as cidades principais, isso para não falar da beleza dos cumes altíssimos que se despejam no mar. Um dia todas aquelas ribanceiras foram uma poderosa república, que junto de Pisa, Veneza e Gênova, controlou as rotas marítimas do Mediterrâneo. Mas isto explicarei em detalhes alguns posts mais à frente.
Ficamos assim passeando, numa tarde muito gostosa. Ao final voltamos a Pompeia, fizemos um lanche no centro comercial de lá e cada um seguiu o seu caminho.
| A Costa Amalfitana vista de Salerno, veladas pela névoa. |
Achei muito legal da parte deles convidar-me para este passeio, além de todo o interesse por eu vir de um outro país. Mas os napolitanos são assim receptivos e simpáticos. Tantas vezes eles simplesmente olhavam para mim e começavam a conversar, como se nada fosse. Me lembrou muito o jeito do carioca de ser. Na verdade dá até para fazer algumas comparações, pois até chiar no "s" e comer o "d" dos gerúndios eles fazem!
Combinamos de nos encontrar mais uma vez antes que eu fosse embora, mas infelizmente não foi possível. Entretanto serviu para mostrar-me como o napolitano é simpático, acolhedor e aberto a todos os visitantes, fazendo disto uma das maiores atrações da província.

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